Razão pergunta para o coração: Coração.. por que já não bate forte e vivo como antes?
Coração: Bem, ultimamente não tenho tido muitos motivos satisfatórios para me empolgar ou alegrar-me, acho estou enfraquecendo aos poucos..
Razão: Mas.. por que? Eu não entendo! Você devia pulsar, vibrar, sentir, amar ora essa!
Coração: Eu queria.. mas estou triste. Um dia, Razão, eu já pulsei, fiquei vivo como nunca! Com vigor vibrei, já senti e amei, amei muito por sinal!
Razão: E por que não sentes ou faz essas coisas mais? Por que essa tristeza?
... Nem precisa responder ora essa.. eu já sei o porquê! Você não é racional como eu! Oh, sim..é tão irracional que nem sabes sequer o motivo de estar assim! Tu é mesmo um tolo coração. Um tolo cheio de frescuras . Um tolo que se deixa levar por qualquer sentimento bobinho e pequeno. Aí dá nisso! É por isso que eu sou forte, não me iludo fácil.. não mesmo.
E o coração sem demonstrar qualquer sentimento de raiva, responde calmamente: Tua vanglória é inútil contra mim. Eu não sou tolo, sou sábio. Não sou fresco, porém, sei o que me faz bem. E também sei do que eu preciso. Por mais que eu vibre, sinta, pulse ou ame, eu preciso de um retorno.. e sempre irei precisar. Vou lhe explicar..
Eu preciso que ao vibrar,
alguém vibre comigo.
Preciso que ao sentir,
alguém também sinta comigo.
Preciso que ao pulsar,
alguém pulse comigo.. num ritmo perfeito, fazendo
um só.
E preciso mais do que tudo, que, ao amar.. alguém não só ame comigo, mas que ame a mim.
É disso que eu necessito mais, só isso pode me fazer sentir todas essas coisas e ser feliz como eu fui um dia.
E de que vale tu, óh, irrevogável e gloriosa Razão? Que por mais racional que seja, não se atreve a ser feliz, por MEDO, por sempre desconfiar-se de tudo e de todos. E dentre essas e outras razões, tu nunca conseguirá ser feliz nesse teu pequeno mundo onde só a lógica habita, sem a ajuda desse Irracional aqui, que chamas de tolo, para te fazeres viver e sentir como se deve.
E pela primeira vez a razão não teve uma resposta cabível sequer diante de um argumento tão racional.